O economista Vivaldo Lopes avalia que a queda de 0,32% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto representa um alívio, mas não permite considerar encerrado o combate à inflação. Em sua coluna, ele defende que a manutenção de preços estáveis depende da coordenação entre as políticas monetária e fiscal.

Lopes destaca os dados divulgados pelo IBGE na sexta-feira (11): após alta de 0,07% em julho, o índice recuou em agosto e acumulou avanço de 4,22% em 12 meses, abaixo do teto da meta, de 4,50%.

Na análise do economista, o resultado foi influenciado pelo desconto nas contas residenciais de energia decorrente do bônus de Itaipu, além da redução de preços de alguns alimentos, habitação, passagens aéreas e combustíveis, especialmente gasolina.

Segundo a coluna, o bônus distribuiu R$ 872 milhões a aproximadamente 84 milhões de consumidores. O crédito contemplou quem teve ao menos um mês com consumo inferior a 350 quilowatts-hora em 2025. Lopes ressalta que o impacto sobre a inflação é temporário e que o retorno das tarifas ao valor normal poderá pressionar o IPCA em setembro.

O autor considera necessário observar se a queda dos preços terá continuidade suficiente para permitir novas reduções da taxa básica de juros. Ele também aponta riscos associados ao câmbio, ao clima e ao petróleo e menciona a expectativa de economistas que acompanham a inflação de encerramento do ano em 5%.

Ao abordar as contas públicas, Lopes recorre à Teoria Fiscal do Nível de Preços, do economista John Cochrane, da Universidade Stanford. Conforme a leitura apresentada na coluna, os bancos centrais não conseguem assegurar inflação baixa de forma duradoura sem uma política fiscal que transmita confiança na capacidade de pagamento dos governos.

Para Lopes, a política monetária contracionista brasileira pode reduzir a inflação no curto prazo, mas sua sustentação exigirá um forte ajuste fiscal nos próximos anos.